Estética Facial

Como o botox é usado na Odontologia?

A toxina botulínica, comercialmente conhecida como Botox, ficou muito famosa desde os anos 1990, quando começou a ser usada para fins estéticos. Um dos usos mais comuns é para preencher rugas e linhas de expressão. Mas você sabia que Botox e odontologia formam um par perfeito?

A substância, extraída de uma bactéria encontrada no veneno das cobras, começou a ser usada na década de 1960. Seus primeiros usos foram oftalmológicos, para corrigir estrabismo e espasmo das pálpebras.

Com o tempo, outras pesquisas levaram o Botox para diferentes áreas da medicina. Hoje, a substância é usada para fins diversos, desde o alívio de enxaquecas até o excesso de sudorese.

Botox e odontologia, uma ótima combinação

Na odontologia, o Botox começou a ser usado em 2011 para fins funcionais. Isso quer dizer que, desde esse ano, é permitido o uso da substância para o tratamento de alguns problemas odontológicos, como o bruxismo.

Em setembro de 2016, o Conselho Federal de Odontologia (CRO) emitiu uma nova resolução regulamentando o uso do Botox. Esse novo texto traz mais clareza sobre o uso da substância e de preenchedores faciais por profissionais de odontologia, inclusive para fins estéticos.

Veja os principais usos do Botox na odontologia hoje:

Bruxismo

Também conhecido como “ranger dos dentes”, o bruxismo é um distúrbio bastante comum. Ele se caracteriza pelo hábito de ranger, apertar ou comprimir os dentes. Normalmente se manifesta durante o sono.

A toxina botulínica é aplicada na base do masseter, o músculo da mandíbula. Essa aplicação provocará um relaxamento do músculo, fazendo com que ele volte ao funcionamento adequado.

Ao contrário do uso na estética, o botox para bruxismo não paralisa todo o músculo; apenas faz com que ele tenha sua força um pouco enfraquecida, para não atrapalhar suas funções normais, como a mastigação.

O efeito do Botox é transitório. Assim, pode ser necessária a reaplicação em um intervalo que pode variar de quatro a oito meses. 

Dores de cabeça

Segundo alguns estudos, 80% das pessoas do mundo terão, em algum momento da vida, a cefaleia de tipo tensional (CTT). Essa dor de cabeça é causada pela forte tensão dos músculos da face e do pescoço.

Em alguns casos, a CTT é um dos efeitos do bruxismo. O mecanismo de ação da toxina botulínica promove um efeito de relaxamento nos músculos. Portanto, pode ser usado também no tratamento desse tipo tão comum de dor de cabeça.

Assimetrias faciais

Alguns pacientes têm o hábito de mastigar somente com um lado da boca. Isso faz com que ele exercite mais um dos músculos masseter do que o outro. Como em todo músculo, com um maior estímulo vem a hipertrofia.

O resultado é que o masseter mais exercitado fica maior do que o outro. Consequentemente, um dos lados do rosto do paciente ficará mais inchado, tornando o rosto assimétrico.

O Botox, nesse caso, é aplicado no músculo que trabalha mais, equilibrando as forças da mordida e restabelecendo a simetria para a face. Caso o paciente consiga equilibrar a mordida, a reaplicação do Botox não é necessária. Mas o procedimento pode ser repetido se o problema persistir.

Sorriso gengival

Algumas pessoas, quando sorriem, têm uma elevação grande do lábio superior. Com isso, boa parte de suas gengivas fica à mostra. A característica é conhecida como sorriso gengival.

Apesar de não trazer nenhuma complicação para o paciente, a exibição excessiva das gengivas pode afetar a autoestima. Muitas pessoas passam a sorrir menos ou cobrir a boca com as mãos ao sorrirem.

Tradicionalmente, a odontologia corrigia esse problema com plásticas nas gengivas, aparelhos ortodônticos e até cirurgias para retirar um pedaço do osso do maxilar. Todos métodos caros, que levavam muito tempo e apresentavam um grau de risco considerável.

Mas o Botox chegou na ortodontia para mudar esse cenário. Bastam algumas aplicações da toxina no músculo na base do nariz para o problema ser corrigido de forma rápida e nada invasiva e com muito menos dor. A substância relaxa o músculo, que não sobe tanto na hora do sorriso, escondendo as gengivas.

Outra vantagem é que o tratamento com o Botox é totalmente reversível. Portanto, se a pessoa estranhar sua nova imagem, pode voltar ao que era antigamente sem nenhum problema em poucos meses. O procedimento pode ser repetido para a manutenção dos efeitos.

Sialorreia

A saliva é uma das secreções mais importantes do organismo, pois ela tem função ativa no processo de digestão. O próprio corpo regula a produção da saliva: maior quando estamos nos alimentando, menor quando a boca está em repouso. 

No entanto, em alguns casos, essa produção foge do controle. Ao excesso de saliva, dá-se o nome de sialorreia.

Isso acontece, por exemplo, quando há um descontrole dos músculos da face, da boca, da garganta e da língua. Também pode ser um sintoma de problemas neurológicos, como Parkinson e esclerose lateral amiotrófica (ELA) e sequela de um acidente vascular cerebral (AVC).

A aplicação do Botox pode ser uma alternativa de tratamento para o problema. A toxina é aplicada diretamente nas glândulas salivares, diminuindo a produção da saliva.

Pacientes de uma pesquisa relataram sentir os benefícios do Botox por um período aproximado de quatro meses. Depois disso, o procedimento pode ser repetido.

Ronco e apneia

O ronco e a apneia — interrupção da respiração durante o sono — são problemas muito comuns. Mas isso não quer dizer que sejam menos graves. Além de representarem um comprometimento na qualidade do sono do próprio paciente, também podem pôr em risco o sono do parceiro ou da parceira.

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) lançou, em março de 2017, uma campanha sensibilizando para o impacto que o ronco tem na vida conjugal.

O ronco é causado pela vibração dos tecidos moles do palato (o céu da boca). A apneia acontece quando a pessoa dorme de barriga para cima. Nessa posição, o fundo da língua impede a passagem do ar, causando a interrupção da respiração. 

Existem aparelhos que prometem corrigir ambos os problemas. Mas eles não são bem-aceitos por muitos pacientes, pois são grandes e atrapalham o sono. O Botox é, mais uma vez, uma alternativa.

Nesses casos, a injeção é aplicada no palato mole. A toxina interrompe a transmissão neuromuscular, causando um enrijecimento do músculo do palato. Isso faz com que ele pare de vibrar e libere as vias aéreas para uma melhor respiração. Problema resolvido de forma rápida e eficiente.

Botox e odontologia são, hoje, um par que veio para otimizar tratamentos e aumentar a qualidade de vida do paciente. Se você gostou de saber sobre essa relação, assine a nossa newsletter e receba com exclusividade muitos outros conteúdos interessantes!

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Terceira Dentição

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